10/08/2009

Estado de espírito

Era ocasião de estar alegre. Mas pesava-me qulquer coisa, uma ânsia desconhecida, um desejo sem definição, nem que fosse completamente reles. Tardava-me, talves a sensação de estar viva. E, quando me debrucei da janela altíssima, sobre a rua para onde olhei sem a ver, senti-me de repente um daqueles trapos húmidos de limpar coisas sujas, que se levam para a janela secar, mas se esquecem, enrodilhados, no parapeito que mancham lentamente.

livro do desassossego
Fernando Pessoa editado por mim

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